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Centenarios da Paulista enxugam quadro e voltam a investir em tecnologia propria

Depois de dois anos cortando custos, grupos tradicionais de servicos em Sao Paulo reaceleram orcamentos de TI e reacendem a disputa por engenheiros de software.

Por Marcelo Tavares, em Sao Paulo · Publicado em 6 de julho de 2026 · atualizado as 09h40 · 7 min de leitura

Na recepcao de um predio historico da Avenida Paulista, o cartaz de recrutamento surpreende. Nao procura gerente nem executivo de vendas. Procura gente de software. A cena se repete em ao menos quatro grupos centenarios do setor de servicos financeiros e administrativos que mantem sede na regiao. Depois de enxugar quadros em 2024 e 2025, eles voltaram a contratar engenheiros e analistas de dados.

O motivo, segundo tres diretores ouvidos pela reportagem, e direto. Os sistemas terceirizados que ajudaram a reduzir custo nao dao mais conta do volume de operacoes. Quando a empresa cresce de novo, a conta do fornecedor sobe mais rapido do que a equipe interna custaria. A aritmetica virou.

O que mudou na conta

Um calculo simples apareceu em mais de uma conversa. Contratar cinco engenheiros plenos em Sao Paulo custa, em media, o equivalente a quatro meses de uma plataforma externa de alto volume. Passado esse ponto, a estrutura propria fica mais barata. O detalhe e que esse ponto foi alcancado por varias empresas ao mesmo tempo, conforme a atividade voltou a subir.

Quando o mercado esfria, terceirizar parece genial. Quando esquenta de novo, a gente descobre que colocou o motor do carro na maos de outra pessoa.

A frase e de um diretor de tecnologia que pediu para nao ser identificado porque nao autorizado a falar pela empresa. O sentimento, porem, e partilhado. Nos ultimos seis meses, vagas de engenharia de software em empresas nao tecnologicas cresceram cerca de 23% na regiao metropolitana de Sao Paulo, segundo levantamento de uma consultoria de recrutamento acessada pela reportagem.

Pressao sobre fornecedores locais

Quem sai perdendo no movimento sao as software houses pequenas que viviam desses contratos. Um fundador de uma dessas empresas, na Vila Madalena, conta que perdeu dois clientes grandes no mesmo trimestre. Para nao recuar, ele comecou a vender servicos mais especializados, ligados a conformidade e dados.

A reconfiguracao cria um cenario curioso. As empresas centenarios estao absorvendo gente de software que antes estava nessas software houses. Em alguns casos, levam junto o cliente. O movimento concentra talento em poucos grupos grandes e deixa o ecossistema de fornecedores mais magro.

O que falta acertar

Nem tudo e linear. As empresas tradicionais ainda esbarram em dois pontos. O primeiro e cultura: poucas sabem gerir times de tecnologia com a autonomia que eles exigem. O segundo e infraestrutura. Predios antigos da Paulista nao nasceram pensados para abrigar data centers ou salas de servidores modernos, e a conta de retrofit pesa.

Apostar em tecnologia propria deixa de ser bandeira de modernidade e vira matematica. Enquanto a atividade continuar aquecida, a tendencia e que mais grupos sigam o mesmo caminho. Se o cenario virar, como ja virou antes, volta tambem a duvida que nunca some: vale a pena manter esse time na casa?

Tags: tecnologiaavenida paulistaservicoscontratacao
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Marcelo Tavares

Editor-executivo do ExpandBR. Cobre empresas e macro ha 18 anos. Antes passou pelo caderno de economia de dois grandes veiculos paulistanos.